tenho um conhecido, que é um cara muito agradável e simpático. certa vez, estávamos no ônibus. ele desceu no mesmo ponto que eu. foi na minha frente, mas me ignorou completamente. ignorei o ocorrido e logo depois ele veio atrás, com comentários que me fizeram compreender que ele se desculpava.
- a prima da minha esposa estava no ônibus, e sabe como é.
- não, não sei como é.
- ela é fofoqueira e fica falando bobagens pra minha esposa.
achei ridículo e ignorei. depois uma situação parecida aconteceu novamente, e eu já tinha aprendido a reza e o ignorei para facilitar sua vida e evitar seu constrangimento.
minha vida consiste em ignorar coisas.
daí me lembrei que a esposa deste cara certa vez apareceu de surpresa na oficina dele, mas minha mente-da-nuvem-rosa imaginou que a dona só queria fazer uma surpresa bonitinha pro marido.
tempos depois, uns conhecidos em comum comentaram jocosamente sobre uma câmera em sua oficina. minha mente-lydia-sayeg logo imaginou que tratavam-se de questões de segurança, devido ao alto valor dos equipamentos. riram de mim. na verdade trata-se de uma webcam. ao que parece, a esposa do cara tem uma mente-car-system.
mas voltando ao caso da prima. tem mulher que é muito doente mesmo. muito. não pode ver nenhuma mulher se aproximando de um homem que logo encara isso de maneira erótica, como se tudo fosse relacionado a um interesse sexual. como se toda mulher quisesse seduzir seu macho. como se toda mulher quisesse competir com ela.
noto que esse tipo de neurose é mais frequente em mulheres das gerações anteriores, mas infelizmente noto este comportamento doentio em gente jovem também. então, acho q não há padrão. é coisa de gente infeliz mesmo.
quem consegue viver assim? quero dizer, quem consegue viver sob eterna desconfiança, sempre monitorado e quem consegue viver sempre com a obrigação de monitorar alguém? isso não é vida, there must be more to life than this.