27.3.12

aparentemente os posts sobre minhas agruras rendem ibope (né dona B. e a anônimos perguntadores do Formspring). por conta do post de ontem, acabei lembrando de outras furadas, programas de índio, chances de ser morta pelo líder de uma seita, enfim, situações desagradáveis pelas quais passei.

bom, eu fui evangélica. e não tenho vergonha de falar isso, já abordei essa questão em vários pontos. algumas pessoas (que são evangélicas) me acusam de cuspir no prato que comi. acho que esse tipo de atitude contrapõe o cristianismo, já que você tem que ajudar as pessoas sem esperar nada em troca. coisa de fissurado, que se não tivesse acesso a igreja daria uns tirinhos de cocaína.

e outra coisa: nunca neguei que aprendi muita coisa positiva na igreja. aprendi sim. aprendi de pessoas sábias. aprendi convívio. aprendi as mensagens lindas da bíblia. aprendi minhas primeiras noções de ética e moral. enfim, aprendi muita coisa boa. também vi muita coisa errada, mas cá entre nós, a igreja não é diferente do rotary club ou da maçonaria. não é um lugar santo. não é o lugar mais correto do mundo. tenho aquela opinião stigmata que se existe igreja, ela está dentro das pessoas... enfim, não é disso que quero falar.

quero falar de momentos de sofrimento e vergonha própria ou vergonha alheia mesmo.

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retiros. ah, retiros. já mencionei algumas coisas sobre eles. retiros são passeios com a finalidade de orar, cantar, assistir culto, participar de GINCANAS MANEIRAS e FESTAS BACANUDAS. e claro, uma oportunidade de emular felicidade. ok, eles podem ser legais, acreditem em mim.

certa vez fui a um retiro, cujo 'líder' era um tio meu, que é pastor (um outro, não o mesmo que falei ontem). bom, daí que vários adolescentes estavam por ali, inclusive eu, que na época era infanta de tudo.

um menino e uma menina resolveram ficar. mas como fazer isso num retiro? não pode, é pecado. resolveram então ir para a parte de trás da casa, e um grupo de pessoas ficaria ali por perto, avisando de qualquer problema e tal.

meu pai sempre disse que sou boa observadora e então usei essa capacidade na ocasião. fiquei olhando, porque sabia que daria merda. e eu curto um gore. sinto um prazer nefasto no 'sofrimento' dos outros. e eu sei que vocês também!

ficar minha gente, no meu tempo, era só dar uns amassos leves e uns beijos. nada mais que isso, ok? bom, então chega alguém, um ADULTO, provavelmente após escutar uma fofoca. esse adulto acabou com a festa do casalzinho e contou tudo pro meu tio.

durante a noite, o pastor-meu-tio fez uma ADMOESTAÇÃO. e claro, falou para TODOS, não apenas para o casal pecaminoso do fogo da paixão. e como todo pastor, adora usar exemplos de sua vida. e eu senti que isso não ia acabar bem. em um determinado momento, meu tio começou a falar que tinha casado virgem, sobre a importância da virgindade, etc. eu tinha APENAS 14 anos e até hoje questiono a razão da  exposição voluntária sobre detalhes tão particulares de sua vida.

eu realmente não nasci para ser desse meio.


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essa história não é minha, é da minha amiga A. amiga mesmo, irmã. ela é da minha família, n verdade, fato que não é muito importante. A. é meio doida, mas fala grandes verdades em seus momentos de lucidez.

A. contou que quando frequentava sua igreja X, alguém sugeriu a idéia de usarem os instrumentos musicais para ensinar música para os jovens carentes da região. um desses cristãos brilhantes então argumentou que não tinha que fazer nada pra comunidade, já que ele comprava mantimentos para as pessoas pobres.

[eu sei, a música dos Titãs tocou na sua cabeça]

e esse mesmo cristão brilhante argumentou que os instrumentos eram ungidos, e portanto não poderiam ser usados para este fim, pois vai saber onde essa criançada já meteu a mão.

uma coisa ungida é uma coisa santa. sim gente. santa. depois essas criaturas vão criticar os católicos, dizendo que eles cultuam imagens e medalhinhas... não que a ICAR seja um exemplo, mas apesar de louca, prezo por alguma coerência e sou idiota também, pois busco coerência onde não existe.

o cristão brilhante certamente é mais santo e perfeito que o muleke piranha que vai tocar VOU VENDER MINHA CASA E MORAR NUM CABARÉ em seu contrabaixo.


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essa história é engraçada, porque aconteceu justo numa das raras ocasiões em que meu pai, Homer Simpson, vai pra igreja. no dia em que quase imploram para ele ir pra igreja, certamente com finalidade evangelizadora, isso ocorre. e é engraçado. vou contar pra vocês, mas antes preciso contar um fato.

tenho uma prima teletubbie-pollyana-de-jesus. e ela estuda na USP, porque a danada é inteligente. daí a mina  escuta de fontes provavelmente MUITO SEGURAS, que rolou uma festa na USP com muita droga (MAGINA!) e bebida (MAGINA!). e lá pelas tantas os caras estavam tão bêbados, que começaram a mijar uns nos outros. ae rodada de golden shower pra galera.

então minha prima conta isso pro pastor, provavelmente para ele se orgulhar dela. nossa-que-menina-fofa-estuda-na-usp-mas-não-mija-em-ninguém-deve-ser-a-única-naquela-representação-contemporânea-de-sodoma-e-gomorra-tipo-ló-que-testemunho.

bom, dias depois dessa conversa de Pollyana de Jesus com seu pastor, Pollyana e sua famíla convidam meu pai pra igreja. papai coloca a melhor roupa  e lá vai ele com mamãe e irmão. felizmente eu estava em animação suspensa e não fui.

ah, devo mencionar que boa parte de minha família e eu somos de uma vila muito pobre, de um quebradinha. felizmente somos muito esforçados, inteligentes e lindos. e muita gente fez curso superior, muitos na USP. somos minoria lá na nossa vila de origem, que fique claro.

todos sentados durante o culto e escutam o que o pastor tem a dizer. num determinado momento, o pastor fala do que lhe foi relatado por uma irmã. meu pai ficou horrorizado. não gente, ele não acreditou no pastor. ele ficou horrorizado com a generalização e com as viagens feitas por um pastor que provavelmente nunca botou os pés na USP e estava cometendo generalizações em prol do evangelismo. e pra ajudar, meu pai já não simpatizava com o tal pastor, um velho conhecido de minha família (não, esse não é tio).

meu pai ficou tão chocado que nem comentou nada comigo. minha mãe contou tudo o que foi dito e provavelmente só ficou chocada porque meu pai deve ter conversado com ela a respeito. quando minha mãe me contou o que houve, eu fiquei pensando nas pessoas muito pobres e ignorantes que frequentam aquela igreja. aqui não estou usando pobreza e ignorância como adjetivos pejorativos, são apenas fatos. bom, imagino uma senhora muito ignorante, que praticamente é uma analfabeta funcional. a imagem que ela vai guardar da USP e esta transmitida pelo pastor: que todos curtem golden shower, cerveja e cocaína. e se o filho/neto/filho-da-vizinha estiver estudando para entrar na USP, provavelmente ouvirá o relato dessa senhorinha. espero que não acredite nela.


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ok, roubei duas histórias. mas eu sou uma contadora de histórias razoável.