um rapaz autista liga pra mim, todos os dias, perguntando muitas coisas.
ele é autista mesmo.
eu me irrito, as vezes. ele não tem desconfiômetro, liga muitas vezes por dia, fica mais de 10min no telefone (o que já considero inaceitável, certa vez ele ficou por 1h) as perguntas são irritantes e etc.
quando digo que as perguntas são irritantes, é talvez devido uma característica do autismo. autistas não aceitam o caos e a incerteza. e a natureza tá cheia disso. imagine que esse rapaz me pergunta coisas como:
- qual o tamanho de uma montanha?
e eu digo a ele que isso pode variar. dou exemplo de montanhas grandes e de montanhas pequenas. mas ele não aceita muito bem. ele quer UM número.
confesso que ele me irrita às vezes. há dias em que não estou com bom humor, não quero falar com niguém. já pedi que ele me mandasse emails. não pense você que eu não responderia esses emails. mas é que eu me expresso um pouco melhor escrevendo. eu não gosto muito de falar. e confesso que fico pensando o que ele vai fazer com essa informação. quem não é autista, utiliza a informação para adquirir alguma vantagem. ele me disse que vai escrever um livro, e o tio dele que é muito importante pois é advogado, vai financiá-lo.
enfim, ele me ligou hoje. falou comigo, expliquei algumas coisas. e minha conversa com ele hoje me fez pensar em algo que aconteceu ontem.
ontem eu postei no meu facebook aquela reportagem da record falando mal do valdomiro da igreja mundial. eu ri da reportagem - embora ela tenha alguma verdade - , por que a record=macedão=iurd=mesma_merda. mas eu postei, como gancho para falar sobre uma opinião minha. reproduzirei aqui o que disse:
eu não gosto de igrejas de um modo geral, mas eu tenho uma teoria: igreja com foto gigante do pastor/apóstolo/paipóstolo/discípulo/missionário/padre/bispo na fachada é o que mesmo furada, vaidade, manipulação em seu grau mais nojento e idolatria (as imagens católicas pelo menos são mais bonitas).
daí eu sabia que ao escrever isso alguém se ofenderia e talvez me questionaria. enfim, conheço muitos evangélicos e evangélicos de todo tipo. mas escrevi mesmo assim. é minha opinião e tenho certeza que não estou ofendendo ninguém. se alguém se sente ofendido, deveria se tratar. estou assim, agora. vivi minha vida inteira querendo agradar gregos e troianos.
dias atrás, uma senhora, tia de uma amiga, me adicionou no facebook. eu frequentei a mesma igreja que ela. e ela sempre foi um tanto fofoqueira, na minha opinião. só que eu convivia de boa, apesar dos aparentes distúrbios que apenas uma mente fofoqueira tem. eu não falo em fofoquinha não. fofoca patológica mesmo. aceitei a solicitação de amizade na base do 'não tenho motivos concretos para recusar e ela é tia de uma amiga'.
essa senhora, diante de meu comentário acima reproduzido, parece que não o compreendeu. disse algo sobre nunca ter andando com jesus. questionei se ela se referia a mim ou ao tele-evangelista. aparentemente ela não compreendeu meu questionamento e fez outra intervenção, um comentário bem mais desconexo e mais um flagrante de que tinha grandes dificuldades em interpretar um texto. e olha, a pessoa parece que é formada em pedagogia. mas quem não é hoje em dia, não é mesmo?
então concluí que fui muito injusta em me irritar com o rapaz autista. pode ligar quantas vezes você quiser, garoto :-).
tá, não tantas vezes assim.
ouvindo: jesus to a child - george michael