27.4.12

esqueci o celular no bolso da calça. coloquei a calça pra lavar. e o celular morreu.

e então eu continuei com diarréia. estou assim desde sábado passado. minha mãe, meu marido, meu irmão, minha consciência e minha fraqueza me obrigaram a ir ao médico. então eu fui. cheguei lá, fui examinada e me mandaram para a sala de medicação. tomei soro com umas paradas. o médico recomendou repouso e mandou tomar uns remedinhos em casa. bem feito pra mim.

o que me chamou a atenção foi o hospital. é um desses metido a besta, sabe? só que durante a medicação, fiquei percebendo algumas coisas. veja então os contos de hospital abaixo.

PRÁSTICO

tinha uma sujeirinha no chão. algumas sujeirinhas, na verdade. todas elas eram uma peça de plástico que vem no kit do soro. não sei no nome do negócio, mas tinha umas 5 no chão. achei estranho e registrei isso mentalmente. não tinha forças para reclamar, nem que eu quisesse. a enfermeira então chamou uma nova paciente:

- Fulana de Faccio (a enfermeira disse FÁCIL)
- é FACCIO, disse a paciente indignada (a paciente pronunciou 'fakio').

ela sentou-se ao meu lado para ser medicada também. e uma dessas pecinhas de plástico ficou bem debaixo dos seus pés. ela mostrou para a técnica em enfermagem. ela disse:

- ah, não liga não, deixa aí. é só uma pecinha de plástico.
- é, VAI DEIXANDO. disse a Srta. Faccio, com um TOM IRÔNICO.

PENSEI QUE FOCE (sic) MORRER TAMBÉM

daí o cara do meu lado, que começou a tomar a medicação antes de mim, estava muito quieto. a enfermeira notou que a medicação dele tinha acabado. então chamou:

- sr Antonio? sr Antonio? sr Antonio?

foi quando me virei assustada e achei que tinha um defunto do meu lado. a enfermeira cutucou (oi facebook). e ele acordou. ufa.

CORDÃO DE OURO MANO


daí continuei minhas observações. e notei que um enfermeiro bonitão tinha uma pulseira de ouro bicheiro inspired no braço. e porra, ele deveria ter deixado isso guardado né? pra que trabalhar com essa merda no braço? e ele colocava e tirava as luvas para realizar os procedimentos. e o cordão ficava pendurado no pulso. e a cada tirada e colocada de luva, a pulseira balançava mais. e aparecia mais. acho que até CRESCIA. e eu só conseguia ver aquilo como uma colônia de bactérias. depois de ver o tira-e-põe de luva algumas vezes, tive certeza que vi algumas bactérias sorrindo e acenando para mim. como se essas bactérias    saíssem para saudar Allan Quatermain.

sério, nojo.

CURINTIA

daí uma pessoa entrou na parte reservada da sala de medicação. era um homem. e reclamava, perguntava se ia doer. a enfermeira dizia que tinha a mão leve, que não era para ele se preocupar. e que seriam apenas duas. ele saiu tímido, todos olhavam pra ele quase rindo.ele usava a camiseta do corinthians.

SANGUE NO ZÓIO

a enfermeira foi furar o braço de uma senhora e espirrou muito sangue. espirrou na calça dela e no pote de plástico onde a medicação era separada. a enfermeira simplesmente limpou tudo com papel toalha. e ficou tudo bem.

PANACÉIA 

hoje cheguei a conclusão definitiva que álcool em gel mata todos os vírus e bactérias. e salva o mundo das doenças, de todas elas. se você colocar álcool em gel no lavabo de sua casa, todos exaltarão suas maravilhosas noções de higiene. não importa se você coça o saco, palita os dentes ou esquece água nos pratinhos das plantas. você tem álcool em gel em casa. você é limpinho.

JAPONESA VOMITANTE

por fim, uma senhora oriental sentou-se ao meu lado (é gente, fiquei um bom tempo tomando medicação, tipo forest gump no ponto de ônibus). e ela estava com ânsia de vômito. e toda vez fazia que ia vomitar. e eu entrava em pânico, claro. porque sempre que vejo alguém vomitando, eu vomito também. devem ser os tais neurônios espelho. e eu estava em desespero, mas me sentia tão cansada que não tinha forças para FALAR e pedir "pelamordedeus alguém arruma um saco pra essa mulher". e ela repetia a cara de vômito. e eu olhava pro meu soro, pedindo pra que ele acabasse logo e eu saísse logo dali. finalmente arrumaram um saco pra ela. E O SACO ERA TRANSPARENTE. e eu voltei a olhar para meu soro, como se fosse a ampulheta da morte. acabou. peguei minhas coisas, agradeci a enfermeira e fui embora.