eu na padaria tomando suco de laranja. sentada, quietinha e pensando no vazio existencial. rs
chegam dois homens de meia idade. um deles, um carioca desses bem espalhafatosos. estão usando camisa social e gravata. eles não tem cara de segurança. eles chegam no lugar com postura de 'eu estou no comando'. vocês sabem.
um deles é mais espalhafatoso. o carioca. ele chegou falando alto. não pára de repetir a palavra pizza. deve ser mágico comer pizza em são paulo. deve ser a mesma emoção que eu teria se fosse até o rio e comesse biscoitos globo in loco, talvez.
estou observando. o carioca não tira os olhos de mim desde que chegou. ele então aponta para as pizzas. diz para o atendente do balcão, mas olhando fixamente para mim:
- eu quero aquela branquinha. AQUELA BRANQUINHA.
termino meu suco e vou pegar uns pães pra trazer pra casa. o cara não tira os olhos de mim.
eu nunca tinha ouvido falar de cantada subliminar. e eu não queria virar musa de WASP*, mas acho que estou envelhecendo.
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* qual seria um equivalente de WASP para nossa realidade brasileira? B.E.C. (branco, europeu e católico)?
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eu consigo entrar na mente de todos vocês. por isso eu tirei os comentários deste blog. já pensou ter que ouvir 300x que eu tenho preconceito contra cariocas e contra seguranças (sim, porque eu entro na mente de vocês e sei que vocês pensam isso, eu sei)? não tenho estrutura psicológica e nem glândula que secreta rivotril pra aguentar um troço desses. #drama
'vocês' no parágrafo acima = uma grande generalização, não se ofendam se não for o seu caso, pfv.