23.5.12

uma amiga minha, muito querida, chegou a conhecer um ex namorado meu. outro dia conversávamos pelo facebook, e ela me elogiou (acho que foi um elogio), dizendo o quanto o fulano perdeu, pois eu era uma pessoa legal, etc.

fico desconfortável recebendo elogios. mas não é disso que quero falar. quero falar que ele não perdeu nada não. na verdade, acho que ele fez a coisa certa, era o que ele queria fazer. e eu saí ganhando muito.

então prefiro colocar da seguinte maneira: eu ganhei. e ele também ganhou, eu acho, já que ele fez o que tinha que fazer. se todos ganharam, foi bom.

faz tanto tempo e eu nem consigo imaginar minha vida longe do meu marido. parece que as coisas antes nem tinham cor. não lembro de detalhes com ex namorados (eu juro). não lembro de momentos especiais (juro mesmo).  provavelmente e muito provavelmente porque não houve momentos especiais dignos de nota.

certa vez comentei que certas memórias estão se apagando. sabe quando o lucas silva e silva imaginava com o gravador e tudo ficava esbranquiçado dos lados? eu sinto que está assim. e está cada vez mais se apagando...

sabe quando jake chambers fica confuso sobre estar vivo ou não, pois roland matou quem seria o assassino de jake antes do assassinato ocorrer? e ao mesmo tempo jake estava confuso sobre as memórias de ter morrido ou não no mundo de roland? enfim, me sinto assim. eu não sei dizer se as coisas aconteceram. talvez porque de fato elas não tiveram importância pra mim.

muitos podem argumentar: ah, mas na época em que ocorreu, foi importante. ah sim. é verdade. quando somos muito novinhos, tendemos a engrandecer momentos. quando a gente envelhece, a gente vê que exagerou muito. bom, pelo menos essa máxima aplica-se a mim. há inúmeras situações em meu passado em que noto isso.

minha vida passou a ter importância depois que minha auto-estima subiu. e isso aconteceu em 2005, com ápice em 2006. hoje me sinto tão feliz, com os melhores amigos (que são família), os melhores familiares (que são amigos) e com o melhor companheiro que o Criador poderia me dar.

e digo uma coisa: se amanhã meu marido e eu concluirmos que o amor acabou (se é que isso é possivel), eu vou ter guardado no coração tantos momentos bons. momentos incomparáveis a qualquer coisa que já vivi antes de conhecê-lo. eu não tenho dúvidas em afirmar (usando toda a lógica, veja bem) que meu marido é meu grande amor. eu sinto isso nas coisas pequenas.

se um dia o amor acabar (se é que isso é possível), terei certeza de que existiu um dia.

***

essa semana agi como uma idiota. eu acredito que a idiotice humana é uma combinação de idiotice célica + idiotice construída. a idiotice construída é a pior.

a idiotice célica é aquela que já nasce com você, vem das mãos do criador. e pode ser engraçada. é a ignorância meio jeca tatu diante das coisas, por exemplo.

a idiotice construída é quando você fica com medo de desagradar alguém e age como idiota. quando você faz algo que não gosta só porque todo mundo faz. quando você faz coisas irracionais porque está com um medo... irracional. coisas assim.

bom, a minha grande idiotice da semana baseou-se em uma contribuição da idiotice construída.

um amigo meu, o S., publicou uma foto minha muito antiga, no facebook. ele publicou no meu mural, aquele danadinho. e eu estou bem gatinha na foto.

meu painel da nefertiti, os dinossauros e o changeman do meu irmão, o vaporeon... ai vida de nerd. e eu v1d4lok4 camwhorando.

acontece que o S, possuído pelo ritmo ragatanga resolveu que seria legal publicar a foto de todos os amigos dele (até amigos que ele conheceu no bate-papo da AOL), desde 2000. essa foto aí deve ser de 2003, por aí.

quando vi a foto publicada em meu mural, já pensei (irracionalmente) que meu marido iria chiar. maridão não conhece mano S., pois esse faz parte de meu passado longinquo nas ruas de itaquera.

como sou uma pessoa que explico tudo demais (como diria millôr: explico tudo timtim por timtim e depois dou detalhes) decidi explicar ao marido que S. é um amigo antigo, que estudou comigo, etc. não gosto de mentir ou enrolar. é óbvio que não contei TUDO sobre minha vida ao marido, porque a) não sou tão enfadonha assim e b) muita coisa é irrelevante ou c) ele não entende o contexto de muitas coisas e nem conhece as pessoas envolvidas nas histórias, então não vai rir das situações d) a realidade que vivi nas ruas da periferia é um tanto diferente da realidade dele (risos).

nessas situações tenho por hábito explicar demais, explicar além do necessário. meu marido começou a ZOAR comigo, perguntando se eu estava escondendo algo, etc. ZOAR mesmo, rir da minha cara, rir do fato de eu explicar tanto.

eu ri também. eu amo meu marido.

voltemos a idiotice construída. por que agi assim? porque sou TRAUMATIZADA. citatei um exemplo de um fato que envolveu o ex namorado referido anteriormente.

eu usava o mIRC. adorava, conheci gente de vários lugares do planeta. nunca me envolvi romanticamente com ninguém. sempre gostei de internet. como nunca gostei de sair, eu costumava entrar na internet pra conversar com pessoas que tivessem as mesmas afinidades. era um barato, muito bacana mesmo. num desses 'passeios', conheci um menino, o K. aliás, faz muito tempo que não falo com ele. ele estudava eletrônica e nós tinhamos muita coisa em comum. ninguem aqui tá falando em beijo na boca e sexo, pelamordedeus. era amizade. ficávamos bastante tempo conversando e rindo.

um dia, o K, me mandou uma foto dele quando criança. era uma brincadeira do canal, não me lembro bem. e eu elogiei a foto. K. é sansei, e a gente sabe que crianças japonesas são fofas demais.

daí meu ex H4k30U meu email. acho que ele me viu digitar a senha, qualquer merda assim. ou me mandou um phishing, cliquei e não percebi (oi carolina dieckmann), o que é muito provável, já que no passado da internet a moda era mandar cartões virtuais e não acho que ele tivesse a capacidade de hackear o servidor de email. bom, então ele salvou esse email que mandei pro K só para me confrontar.

eu era muito ingênua nesse negócio de relacionamentos, comecei a chorar desesperada. achei que tinha feito algo errado. eu me afastei de muita gente legal enquanto namorava esse empiastro e infelizmente, não recuperei o contato com muitas dessas pessoas. acho que isso me traumatizou.

só fui entender que as coisas não eram bem assim quando comecei a namorar meu marido. ele sempre respeitou meus amigos e sempre teve a mesma opinião que tenho sobre internet: é um local onde você, dentre outras coisas, pode conhecer gente legal. simples assim.[*]

a internet não é exclusivamente pra procurar amantes ou qualquer coisa do tipo (como muito provavelmente meu ex pensava). só que esse tipo de prisão ainda me consome. e eu me senti obrigada a explicar uma trivialidade ao meu marido. depois que ele riu de mim, me senti patética. uma colega minha, a D., disse dia desses que todo mundo precisa fazer terapia pra se conhecer melhor. se um dia eu fizer terapia, certamente focarei nessa minha mania ridícula de querer explicar qualquer coisa.


*****

[*] um adendo: esse negócio de procurar gente pra trepar em todos os cantos do cosmos é coisa de doente. sério. sabe aquele cara chato que puxa conversa com você no ônibus e fica com gracinha (já aconteceu isso comigo, conto em outro post)? sabe aquele babaca que vem tentar te encoxar na formatura do seu irmão, enquanto você está de boa, olhando o movimento? veja bem, não que eu seja contra ~xavecos e flertes~. só acho que uma coisa é você começar a conversar com alguém e ser gentil e outra é já chegar querendo comer oi to no açougue. eu não gosto da segunda abordagem, nunca gostei!

eu sempre acreditei que é perfeitamente possível que dois adultos iniciem uma conversa saudável, chequem afinidades e se tornem amigos. se quiserem se comer, vai da disponibilidade e interesse de cada parte, o que normalmente fica bem evidente. no caso, como não sou adepta do poliamorismo, conheço as pessoas pelo simples fato de conhecê-las e poder ter uma conversa agradável, trocar experiências, essas paradas ae. felizmente meu marido pensa como eu.

eu não iria querer pra minha vida uma loucura tipo parceiro obrigar a deletar perfil em  rede social. ou propor um PERFIL DE CASAL, algo que considero ABOMINAÇÃO.