19.6.12

daí criaram uma comunidade da galera que fez ensino médio mais ou menos na mesma época que eu. eu não sei porque caio nessas porras saudosistas. certamente é curiosidade, é vontade de saber como as pessoas estão. não que eu sinta falta de todas elas.

daí ontem, nessa comunidade, encontrei uma antiga bullyer. na época ela tinha um corte bizarro de cabelo e usava um brinco perolado como piercing de nariz. ela me perseguiu até a estação de metrô durante os primeiros meses na nova escola. ela queria fazer pinturas ridículas em mim, como ritual de entrada na nova escola, já que a criatura estava no segundo ano e achava que tinha este direito. e ninguém toca em mim sem minha permissão, ninguém mesmo. to falando sério. sou meio gato nesse ponto.

agora imaginem uma menina de 14 anos, recém saída de bedstuy (e que quase não tinha saído de seu bairro sozinha antes) que tinha acabado de passar num vestibulinho porque a mãe queria que ela fosse para uma escola melhor. eu merecia um melhor acolhimento, com certeza essa deliquente deveria ter me recebido com cupcakes e abraços.

mas vamos voltar aos dias atuais. minha antiga bullyer escreveu qualquer parada na comunidade e notei que ela não sabia usar o infinitivo. ela disse algo como "não tem como não ri". minha bullyer virou mais uma ignorante que não sabe usar o infinitivo. acho que me senti vingada.

pelo menos ela melhorou o corte de cabelo e  já não usa mais o piercing bizarro. ficou bonita. algo precisa compensar a incapacidade de usar o infinitivo.


aliás, todos meus bullyers se foderam, com exceção de um, que pediu desculpas na época do orkut (isso foi bem engraçado) e hoje é um cara bem legal. mas olhem só o que aconteceu com meus bullyers:

-  uma queria ser veterinária e pagava de rica. certa vez foi trabalhar em uma firma da região e gritava aos quatro ventos: "não preciso deste emprego, meus pais tem dinheiro". agora é uma dona de casa frustrada que passeia com uns yorkshires fedorentos pelas ruas de bedstuy. ah sim, e ofende antigos desafetos, criando pequenos barracos e climões por onde passa. reflexo da falta do que fazer.

- um cara foi morto e o corpo foi abandonado dentro do carro numa região erma. não queiram ser v1d4 l0k4 traficantes, amiguinhos.

- a outra me encontrou há uns 10 anos na fila da minha zona eleitoral. veio conversar comigo como se fosse minha bff. e começou a dizer que já tinha 2 filhos (e tipo, as crianças já andavam e falavam) e que morava nos fundos da casa da sogra e que tudo era muito legal.

[eu disse pra uma colega minha que  é capaz que meus bullyers mais antigos já sejam avós e ela deu risada, mas vocês podem ver que falo sério pelo relato acima]

- a maioria ficou feia.

pensando bem, o que aconteceu com a bullyer que abre o post (a do nariz perolado) nem é nada tão grave. ser ignorante com relação ao uso dos infinitivos é remediável.


p.s.- repetindo: amargura dita minha vida. e eu me considero so fucking special sim.