20.6.12

eu não sou docinho, não sou fácil de lidar e sou bem chata.
isso são coisas sobre mim que as pessoas normalmente não veem. eu tenho cara de pessoa calma e serena, mas não é bem assim. eu tenho mais defeitos do que gostaria.

essa semana uma amiga me mandou um texto de um blog cuja proprietária me causa uma antipatia um pouco inexplicável. na verdade, até que é explicável: ela andou falando umas coisas por aí de maneira bastante equivocada e eu ri disso. rio dos pseudointelectuais. eu não sou lá muito cheia de referências, mas eu consigo perceber quando alguém tá enrolando*. principalmente quando é um assunto que razoavelmente domino.

enfim, minha amiga não sabia que tenho essa ojeriza pela autora do texto. no entanto, venci meus preconceitos e li. porra, ela falava sobre egocentrismo e eu achei a análise muito profunda. ela falava não do egocentrismo como 'EU quero tudo pra MIM porque EU sou especial'. ela falava de maneira muito mais ampla, sobre quando eu acho que aquela pessoa com quem antipatizo está agindo de determinada forma apenas para me atingir. e talvez essa pessoa nem saiba que eu existo. e talvez ela esteja agindo daquela determinada maneira porque, bem, é o modus operandi dela. e que talvez eu não deveria fazer conjecturas, ou seja, eu simplesmente não deveria me importar.

como eu ja estava um pouco indignada por n outras razões com essa amiga que mandou o texto (chamaremos de A.), eu poderia achar  que ela só me mandou o link do texto da blogueira (que chamaremos de X.) para me atingir, mas na verdade ela mandou o texto para outras pessoas também. mas na verdade ela nem sabe que eu acho X. um porre. e talvez ela só tenha achado o texto muito bem escrito e fundamentado, o que de fato é.

ou seja: eu tenho que aprender a não me importar (que é exatamente  o que a blogueira pedante pseudo-intelectual com quem antipatizo recomenda sobre a vida).

acho que minha ojeriza está dimuindo. só não desaparecerá porque eu sou amargurada, chata, não sou docinho, adoro falar mal dos outros e mudo de idéia com a mesma frequência que Cícero costumava.

* o grande enrolar da atualidade é procurar no google. pode perceber. nego sabe porra nenhuma. em 5min fica suficientemente versado em kafka para impressionar em uma rede social. mas vai ver o cara sabe mesmo de kafka e eu, como sou amargurada e duvido de tudo, fico questionando as coisas e tal.

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cara, to aqui pensando num esquete cômico. na verdade, certamente já tiveram essa idéia, porque as pessoas tem as mesmas idéias contemporaneamente, mas em locais diferentes. deve ter a ver com as referências em voga. enfim, a minha idéia de esquete é a seguinte: um cara muito hipster convida uma mina muito hipster pra sair. os dois vão para um restaurante de comida tailandesa, qualquer coisa ~exótica~ nesse nível. e então o cara puxa assunto sobre... sei lá... um filme iraniano. ele vai dizer que viu o filme e fará altas análises (mas é claro, ele teria previamente decorado tudo aquilo, ele não viu porra nenhuma) e a menina corre pro banheiro e pesquisa no Iphone dela tudo sobre o filme. volta pra mesa e discute o assunto com bastante propriedade.

minutos depois, a menina toca em outro assunto. dessa vez pode ser uma banda obscura da República Tcheca. o cara meneia a cabeça e corre pro banheiro. pesquisa tudo sobre a banda, volta e discute com propriedade. e assim segue. e os dois ficam felizes para sempre.

isso fez com que eu me lembrasse de um episódio de arquivo X da quinta ou sexta temporada, não me lembro. o fato é que os lone gunmen estão num cassino, para pegar algumas informações. e o byers finge que é funcionário de uma empresa de tecnologia armamentista ou de aviação, não lembro bem. e ele  está jogando poker com uns caras barra pesada. ele tem um ponto eletrônico e o langly vai passando todas as informações sobre os assuntos em discussão. por exemplo, se falam sobre uma arma nova, o langly corre na internet, pesquisa tudo a respeito e passa as informações pelo ponto para o byers. até que os caras do mal começam a perceber que o garçon (que é o frohike) está ajudando o byers no poker. eles então fazem uma pergunta sobre uma arma que não existe. langly fica desesperado, procurando na internet, a tal arma. byers, no desespero, fala qualquer merda que vem a cabeça. e a fraude é descoberta.

e isso me faz lembrar de uma oooooutra história. uma ex-amiga de uma colega querida minha (a B.), tinha vários cd's de música erudita no apartamento dela. daí ela começou a sair com um cara, que conhecia música erudita, tinha estudado em conservatório e tal. e ele começou a fazer perguntas para ela, sobre os cd's e os compositores. e ela não sabia merda nenhuma.

tipo rico que compra livro de 200 reais com acabamento de luxo cheio de reproduções de obras de van gogh. e deixa na mesa da sala. daí a visita pergunta qq coisa sobre expressionismo e o anfitrião faz cara de È DE COMER?

só rindo.

e o engraçado é que as vezes a visita não sabe nada também. daí todo mundo finge que é intelectual. e todo mundo finge que acredita. o mundo é uma grande representação.

ouvindo: teatro dos vampiros - legião urbana.