28.9.12

em algumas ocasiões comento sobre os emails grosseiros que recebo, na maioria das vezes com remetente anônimo. as vezes acho que se eu falar sobre eles, vou dar audiência para o autor. isso pode ser parcialmente verdade, mas comento mesmo assim.

comento porque me sinto um pouco ultrajada e invadida. não é aquela coisa de "ai meu Deus vou ali encher a cara não aguento essa vida de emails anônimos", mas é algo que incomoda um pouco, principalmente porque realmente duvido que tais grosserias seriam ditas cara a cara. duvido mesmo. então comento para desabafar. acho que quando escrevo, penso sobre as coisas. deve ser isso.

recebi um email raivoso, dizendo que eu estava espalhando ódio por aí, etc, etc, etc. no texto do email, eu estava sendo acusada de ter me feito de vítima, de ter disseminado ódio num grupo de amigas, etc. enfim, uma leitura bem exagerada, estranha e mentirosa sobre este incidente. o que disse ali é a minha opinião. e me restringi a defender meu ponto de vista e a tentar explicar para algumas pessoas o que eu queria dizer. não tive muito sucesso nisso, mas ok. eu sinceramente não consigo entender como as pessoas tem tanta dificuldade para entender coisas tão simples e bobas. não sei porque ainda estou falando disso. bom, dane-se.

se você me lê por aqui (porque foi aqui que você conseguiu meu email, certo?) e me mandou esse email idiota, bom, um beijo procê. conseguiu me irritar um pouquinho. só um pouquinho.

***

esse ~email anônimo~ acima fez com que eu me lembrasse de uma carta anônima que recebemos em meu trabalho há algumas semanas. era um dia comum. o porteiro me chamou e me mostrou uma carta. o envelope era meio confuso, mas concluímos que era direcionado ao meu departamento. segurei a carta com medo. pensei em explosivos, antrax, pentelhos, porra, merda ou qualquer outro fluido corporal. meu pai já apurou votos de eleições na época em que existiam cédulas de papel e já me contou histórias horríveis. então fiquei com medo.

mas a curiosidade é maior que o medo.

abri a carta na presença de dois colegas. a carta era escrita com caneta azul. num determinado ponto, a tinta tinha acabado e usaram tinta preta. a carta era escrita com ódio, a caneta foi apertada com força contra o papel. a carta dizia incongruências, criticava o trabalho de alguns colegas. era bem generalizadora, na verdade, pois não mencionava o nome de X ou Y. também não dava indiretas ou descrições físicas ou de comportamento que pudesse se encaixar em algum colega. a carta foi escrita por algum revoltado contra a ciência. tenho certeza que li UNIÃO SOVIÉTICA num certo momento.

rimos. entreguei a carta a um professor de 84 anos. ele riu muito, disse que fazia tempo que não via uma correspondência anônima.

- é porque o senhor não usa a internet, professor.

na carta, apenas o carimbo da agência (ou centro de distribuição) responsável. era de um bairro bem distante.

os trolls da vida real são bem mais engraçados que os da internet.