2.1.13

escrevi o texto abaixo há alguns anos:

hoje fiquei pensando se eu sempre fui fria e avessa a comemorações ou se foi tudo culpa sua.

eu poderia botar a culpa em você. as pessoas que passam por nossa vida nos transformam um pouco. mas eu pensei bem e não sei se você teve esse poder. acho que você passou incólume.

nunca vou saber, na verdade. porque eu precisaria analisar uma linha do tempo alternativa em que eu nunca tivesse me envolvido com vocẽ, já que sabemos que é impossível voltar no tempo.

mas eu tenho a sincera impressão de que você realmente passou incólume. analisei minha vida antes e depois de você e ela parece a mesma. até algumas escolhas desastrosas foram as mesmas. não fosse a faculdade, eu diria que minha vida ficou em animação suspensa por quase 4 anos. mas não é isso que a faculdade faz, no final das contas?

então, minha conclusão é: sempre fui assim. você não conseguiu tirar muita coisa de mim.

sorri feliz.

lembrei do texto quando vi uma senhora feliz despedir-se de mim pela janela. ela acenava vigorosamente e dava um sorriso, apesar da vida não ter sido muito generosa nos últimos meses. diante de um esforço martirizante, ela tenta demonstrar que gosta de mim e tenta corresponder ao que esperamos desta época do ano.

eu sei que ela gosta de mim, mesmo que não acenasse e mesmo que não sorrisse.

eu acenei e sorri. fiquei agradecida pelas pessoas que Deus colocou em minha vida. pensei nelas - e em todas elas - naquele fragmento de tempo. eu queria poder abraçá-las e demonstrar que gosto delas, mas não sou boa com abraços. também não sou boa com palavras ditas.

então eu me lembro que gostaria de ter tido mais tempo com você, minha querida avó. 

achei que meu sorriso e meu aceno não foram suficientes.

e o velho pensamento sobre o que foi tirado do meu coração voltou.

eu sou algum tipo de idiota que responsabiliza minhas inabilidades a outros idiotas.