e vou contar porque desisti de compartilhar este material nesse grupo. para isso, terei que contar uma história.
semana passada fui almoçar na casa de uma tia. a comida estava deliciosa, minha tia é uma querida sob todos os aspectos (inteligente, batalhadora, boa mãe, etc). essa tia é bem jovem, está na faixa dos 40 e poucos anos. acho que a idade me faz ter mais afinidades por ela, já que há mais referências parecidas.
enfim, nesse almoço tinha bastante gente participando. dentre eles uma prima. que reclama de tudo. e suas reclamações me incomodam porque são feitas em momentos inoportunos. e porque envolvem algum tipo de sentimento de inveja e inferioridade por parte dela.
depois do almoço, ficamos conversando sobre livros. mencionei que estou lendo (o ano do pensamento mágico). ela queria dar uma olhada no livro e eu mostrei. minha cópia era em inglês. ela começou a reclamar que não sabe ler em inglês e que não vai poder ter acesso ao conhecimento daquele livro. mencionei que existe uma tradução. ela não me ouviu, e começou a proferir palavras de ingratidão para sua mãe, que nunca a colocou em um curso de inglês, que nunca incentivou sua formação, etc. começou a falar tudo isso em voz alta, fazendo escândalo, atingindo sua mãe, etc.
mencionei que a reclamona não é uma garota adolescente? pois é.
além disso, a criatura teve a oportunidade de estudar numa faculdade mto concorrida e hj está concluindo mestrado (teve bolsa da fapesp). trabalha num lugar legal e é bem remunerada.
é isso.
e ela diz q a mãe dela não apoiou sua formação.
porque os pais não pagaram UM CURSO DE INGLÊS.
essa gente que acha que 'se fez por si mesma' me irrita um bocado. uma outra prima, com lágrimas nos olhos, disse que ingratidão é o pior sentimento que o ser humano pode ter. chorei.
a anfitriã lembrou de quando meu avô, pai dela, não queria que ela trabalhasse como balconista. ela tinha acabado de conseguir um emprego em uma loja, e meu avô disse que ela podia mais. vovô pagou-lhe um curso de datilografia, comum na época. ela então conseguiu um emprego em um escritório, de segunda a sexta (na loja, ela trabalharia aos sábados). minha tia então concluiu o ensino médio pagou um curso de auxiliar de enfermagem. trabalhou alguns anos na área, ficou cansada, pediu demissão e decidiu voltar a estudar. está no terceiro ano de direito. ela dizia que foi seu pai, que sempre a incentivou a estudar e a buscar algo melhor. ele não tinha dinheiro para pagar uma faculdade ou um cursinho, mas queria que ela lutasse e acreditou em seus potenciais.
meu avô era assim. ele morreu quando eu tinha 8 anos. a casa de meus avós tinha uma enorme estante de livros. meu avô, um homem refinado e educado, sempre estava lendo esses livros. ou lendo a bíblia. ou nos contando histórias.
ele morreu quando eu tinha 8 anos.
eu também tenho que ser grata ao legado dele. ele faz parte de mim, do que conquistei.