essa não vai ser a primeira postagem em que exibo um total senso de desconexão com as coisas.
hoje eu estava surfando de blog em blog quando encontro um blog em especial, com uma série de postagens sobre cidades italianas que tive a oportunidade de conhecer. por identificação, comecei a ler. para relembrar dos locais onde estive e fui muito feliz.
a moça (dona do blog) postava apenas fotos de looks do dia nesses locais. logo perdi o interesse. gosto quando falam dos lugares que foram, quando falam sobre os museus e igrejas. como o blog consistia em fotos de looks do dia, desisti.
então vi essa foto:
bom, escondi o rosto dela, embora isso não signifique que seja difícil encontrá-la. não pretendo criticar a aparência dela ou qualquer coisa do tipo. apenas quero questionar o seguinte:
- pra quê salto? pra quê tanta produção?
a foto acima foi feita em Veneza. se você vai fazer um tour por essa cidade, vai andar demais. eu lembro que quando fui para lá, meus pés doeram de tanto andar. há a possibilidade de usar as gôndolas, os traghetti, os vaporetti, etc, que são todos barcos. mas quem vai pra lá, pra ficar um fim de semana por exemplo, logo percebe que não são tão vantajosos do ponto de vista econômico ou prático. andar acaba sendo a forma mais rápida de se locomover.
bom, quando fui pra lá achei a cidade decadente e um pouco cafona. a Itália atualmente me lembra decadência e cafonice, mas em Veneza isso tudo é mais concentrado, como o fedor dos canais mais internos da ilha. não que o passeio não valha a pena: vale muito. a catedral de San Marco, a torre onde Galileo conduziu seu primeiro teste de luneta, detalhes curiosos das praças e de outras pequenas igrejas antigas, o Museu Naval (não tenho certeza se esse era o nome... ou Museu da Marinha) e outros pequenos detalhes da cidade valem a pena. mas não consegui pegar o ar de romantismo da cidade. talvez porque fui pra lá no final do outono... talvez porque eu não seja tão romântica no final das coisas.
o único ar que consegui captar foi o fedor rs. mentira, nem fedia tanto. agradeci por estar frio. mas dava pra sentir um fedorzinho nos canais mais internos, como eu disse.
a viagem valeu muito a pena, principalmente porque fiquei lá apenas por dois dias. se eu soubesse que Diogo Mainardi habitava a cidade (não sei se a 'ilha' ou a parte continental), eu teria feito como no OITNB, em que Piper coloca merda num saquinho, coloca na porta da Polly e ateia fogo na encomenda.
mas né... eu não sabia.
lembrei que quando caminhava por lá, na ponte Rialto, vi uma moça descalça, carregando os sapatos de salto altíssimo. estava bem frio e úmido, imagino o desconforto que deve ser andar descalça nessas circunstâncias (sem mencionar o chão sujinho da rua - nojinho). não eram apenas os saltos: a moça estava toda fashionista, com uma saia de tecido bem fino e esvoaçante. ouvi ela conversando com sua companhia masculina e observei que ela era russa ou ucraniana, não consegui distinguir bem.
uma conclusão em minhas viagens é: esse tipo de figura ou é brasileira ou é russa. incrível.
talvez não fosse o caso da moça, mas percebo que as blogueiras influenciam demais a vida (o consumo, o lifestyle, tudo) de outras mulheres. são as tais it girls. algumas copiam algumas coisas e outras copiam todo lyfestyle da sujeita. fico pensando na quantidade de meninas altamente influenciáveis, que veem fotos de blogueiras em pontos turísticos e acreditam que deve ser daquela forma.
então chegam em Paris (onde também se caminha muito) com as malas cheias de sapatos de salto alto. quando chegam lá, tem suas expectativas frustradas e percebem que não levaram um tênis ou uma sapatilha confortável.
as vezes as pessoas criam expectativas tão irreais sobre o divertimento que se frustram e não conseguem aproveitar o que o momento está oferecendo. fico pensando que essas blogueiras atualmente são grandes responsáveis pelas expectativas frustradas de muita gente.
outro dia, nos comentários do youtube se não me engano, vi algumas meninas conversando sobre os ganhos de uma certa blogueira. algumas sugeriam que a blogueira ganhava mais de 10 mil reais. outra disse que 4 mil reais era "um salário baixo e não dava pra nada". pelos avatares, as garotas não tinham mais que 15 anos.
olha que expectativa fora da realidade: acham que 4 mil é um salário BAIXO. em meu primeiro emprego (de carteira assinada e tudo, do jeito tradicional) depois de formada (com mestrado e falando dois idiomas além do português), eu ganhava 1300 reais. isso há uns 6 anos atrás, mais ou menos e já era um salário bem baixo. desanimador? sim. mas é a realidade.
não estou falando para ser conformista. não é isso. mas é necessário ter um pouco de pé no chão. e entender que a internet é a Terra das Ilusões.
e aqui é o Todash.
