6.6.13

conduzindo miss gerimundaisy

uma vez fiz um trabalho em uma empresa. quando acabei, um motorista da empresa foi me buscar.

não estou acostumada com esses mimos. sempre me virei por aí. mas eu não tenho carro e a empresa estava em um local muito distante, ermo e sem transporte público. o pessoal fez questão de me proporcionar um transporte. 

o motorista era um rapaz alto, magro, bonito e com uma voz energética. era um pouco mais velho do que eu. disse que nasceu em Curitiba e que veio para São Paulo ainda adolescente.

foi pai aos 15 anos e tinha muito orgulho de sua filha, que já estava na faculdade. ele queria ser um pai melhor que o seu, que foi embora quando ele era muito pequeno. "parece coisa de gugu", ele disse.

ele falou que sua mãe morreu na casa dele, dormindo. ele a tinha levado ao médico naquele dia. não era nada grave. ficou preocupado e pediu para que ela dormisse em sua casa. ela morreu naquela noite.

ele me contou que chorava todos os dias na moto enquanto voltava pra casa. pensou que iria acabar sofrendo um acidente. então decidiu frequentar a igreja. e isso o confortava. ele disse que mesmo quando ia para a praia, procurava uma igreja para ir domingo de manhã. e assim conheceu igrejinhas em diversas cidades litorâneas de São Paulo. pouco antes de morrer, sua mãe pediu a nora para que fizesse suas unhas e maquiagem quando morresse. não queria ~ficar feia~ no caixão.

a nora, proprietária de um salão de beleza, atendeu o pedido da sogra.

ele vai pra igreja todos os domingos.

ele falou de seus sobrinhos. falou de um sobrinho especial, que usa cadeira de rodas, mas corre como um piloto de fórmula 1. valou da vontade de ter um segundo filho, sonho de sua esposa, que está fazendo tratamento.

talvez eu nunca veja este rapaz novamente. mas ele deixou um pouco dele em mim. ele falou de seus sonhos, de suas angústias, tristezas, felicidades e de sua fé. às vezes penso na vida dele. e fico imaginando sua filha formada, sua esposa grávida, sua voz energética. fico imaginando a felicidade.